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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Comentário sobre o post pais e filhos

Pensei em nunca mais voltar a colocar temas pesados e polêmicos neste blog. Realmente aqui deve ser coisa de internet, Apple e coisas correlatas. Não tenho a menor idéia de quantos leem, qual  o perfil e o que querem encontrar por aqui. E também pode ser que ninguém leia e esse espaço seja uma diversão de uns poucos. Seja o que for, no entanto, o post citado trata de duas coisas que me tocam profundamente. A liberdade de expressão e o direito das minorias existirem. O oposto a isso é a ditadura do Estado e ela é abobinável e cruel. Portanto, caso não gostem do assunto, basta nem abrir a página e ir fazer coisa melhor. Contudo, não posso deixar de transcrever um comentário feito por um leitor que me emocionou muito. Tal comentário foi posto no blog do Reinaldo Azevedo, de onde fizemos o link para o artigo original. Segue abaixo o citado comentário:

Olá, Reinaldo. Li seu texto com um nó na garganta. Leio diariamente seu blog, até quando não deveria (p.ex., no trabalho rs). Sua inteligência dispensa comentários, mas sua sensibilidade me surpreende sempre que você compartilha conosco suas opiniões e vivências de foro mais íntimo. Eu tenho de parabenizá-lo mais uma vez por um belíssimo texto, que me levou a refletir. Meu pai morreu quando eu tinha sete anos. Lembro que ele era um pai maravilhoso, que adorava me carregar sentado no ombro dele para onde quer que ele fosse. Lembro que, às vezes, eu percebia no olhar dele (e crianças percebem tudo!) uma certa tristeza - ou apreensão, não sei - em relação a mim, que eu não entendia, mas hoje entendo: eu já era gay, embora ainda inconsciente disso, e meu pai sabia. Nasci assim. Tive uma família maravilhosa, cheia de figuras masculinas que eu admiro e que me inspiram: meu avô, que foi meu grande ídolo, meus tios “machões”, que se desdobravam para compensar a perda do nosso pai e que, até hoje, são meus melhores amigos. Eu penso que meu pai, se vivo, pensaria como você. Eu penso que ele me amaria porque ele já me amava. Eu espero um dia que todos nós vivamos num mundo onde cada um tenha a liberdade de ser o que é e de ser respeitado - respeitando - na sua singularidade, sem paternalismo, sem condescendência e sem direitos especiais em relação a ninguém. O deputado Bolsonaro tem seus valores, que são frutos da sua história; quer eu concorde com eles ou não, o fato é que eles refletem os valores de muitos brasileiros, e ele, como representante dessa parcela dos brasileiros, tem todo o direito de falar. Acho até bom quando se tem a oportunidade de debater temas delicados no Brasil, onde tudo é acomodado e varrido para debaixo do tapete. Gosto da qualidade do debate que você faz no seu blog, que, não à toa, é o melhor blog de opinião e análise do Brasil. Obrigado por este texto. 
Por Reinaldo Azevedo